Tragédias anunciadas: chega de omissão!

FOTO: G1-Globo
Tragédias anunciadas: chega de omissão!
Minas Gerais e outros estados brasileiros viveram, nos últimos dias, catástrofes que causaram destruição, com mortes, feridos, desabrigados e desalojados. Milhares de famílias perderam tudo, inclusive, seus entes queridos.
Cidades inteiras ficaram cobertas pelas águas das chuvas, deslizamentos de terras e imensas crateras interditaram rodovias, pontes foram destruídas, casas vieram a baixo e moradores de áreas de mineração perderam noites de sono com o risco iminente de novos rompimentos de barragem, numa espera torturante. Em Capitólio, dez vidas se foram em meio à rocha que se soltou de um cânion no lago de Furnas.
Infelizmente, tudo isso, em grande parte, devido à negligência grosseira, à falta de planejamento, à ausência de fiscalização e, principalmente, em função de décadas de impunidade dos verdadeiros responsáveis. Assistimos, mais uma vez, a uma sucessão de catástrofes evitáveis graças à apatia e a omissão dos poderes constituídos: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Em janeiro do ano passado escrevíamos artigo semelhante, descrevendo o cenário de destruição causado pelas chuvas naquela época e cobrando responsabilidades. E o que mudou de lá para cá? Nada, absolutamente nada. E assim tem sido ao longo dos anos. Tragédias e mais tragédias anunciadas, sem que nada seja feito de concreta para evitá-las.
Não precisamos ir muito longe: em 2019 tivemos a tragédia de Brumadinho; e em 2015 o rompimento da barragem de Mariana. Em 2014, uma das alças do viaduto dos Guararapes desabou sobre a Avenida Pedro I, em Belo Horizonte, e em 2001 o incêndio no Canecão Mineiro deixou sete mortes e quase 200 feridos, também na capital mineira.
Saindo um pouco de Minas Gerais, em 2013, 242 pessoas morreram no incêndio na discoteca Kiss em Santa Maria, sul do país. O prédio não tinha saída de emergência. Em 2019, dez jogadores das divisões juvenis do Flamengo, no Rio de Janeiro, morreram no incêndio de um prédio pré-fabricado que tinha apenas uma porta de acesso.
Precisamos dar um basta a isso, e é necessário que as instituições de controle, fiscalização e punição realmente funcionem no Brasil, cobrando com rigor a adoção de medidas preventivas. E que os responsáveis sejam punidos exemplarmente, com a prisão por crime de responsabilidade, doa a quem doer.
Da nossa parte vamos continuar denunciando esse descalabro e cobrar providências, prestando também nossa solidariedade aos milhares de cidadãos honestos e trabalhadores vítimas dessas tragédias anunciadas.
Paulo Roberto da Silva - presidente da UGT-MG